Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às sextas no LUX24.

Vivemos num planeta esférico mas há quem acredite que ele é plano. Vivemos numa crise climática mas há quem acredite que o homem não tem influência. Vivemos rodeados de idiotas mas há quem acredite que não é idiota.

Embora todas estas frases sejam verdadeiras vou só escrever sobre a do meio, já que no meio está a desgraça. Neste caso, no meio ambiente.

O que está a acontecer ao nosso planeta tem uma grande complexidade e embora exista alguma margem para novos dados, é consensual entre uma grande maioria dos cientistas que o clima está a mudar, tendencialmente a aquecer e que existe uma influência humana.

O Planeta Terra era um local bem mais quente há muitos milhões de anos, isto porque tinha mais dióxido de carbono de carbono na atmosfera. O dióxido de carbono é o mais importante gás com efeito de estufa, impede que parte do calor vindo do sol e refletido pela superfície terrestre saia para o espaço.

Com o aparecimento da vida, esse gás serviu para os seres autotróficos realizarem a fotossíntese e o carbono foi-se acumulando sob várias formas no solo e passou estar em menores concentrações na atmosfera, baixando a temperatura do planeta e beneficiando novas formas de vida.

E durante milhões de anos a temperatura baixou, com altos e baixos até à revolução industrial. Os bichinhos que foram captando carbono ao longo dos anos eram agora carvão, petróleo e gás.

A sua combustão (recorde-se que numa combustão, o combustível, com uma fonte de ignição e um comburente produz energia e dióxido de carbono) vai aumentar a concentração de dióxido de carbono e, por isso, aumentar a temperatura média do planeta.

É uma explicação demasiado simplista, mas permite ter uma visão global do problema. Uma coisa é certa, cada vez que se queima algo estamos a reenviar carbono para a atmosfera, e, no caso dos combustíveis fósseis, estamos a contribuir para um aumento de temperaturas para lá do que qualquer ser humano experienciou.

Incendiar combustíveis fósseis é um ato que está em quase todos os momentos das nossas vidas, seja pela produção de eletricidade em centrais termoelétricas, pela gasolina usada nos carros quando nos deslocamos ou na caldeira a gás que aquece a nossa casa.

Estamos todos a contribuir para que o planeta aqueça e nesta altura do campeonato, já não há esperança que a temperatura aumente menos de dois graus até 2050, podendo chegar até aos 3, 4, 5 ou mais.

E o que resultará disso? Não é previsível que a humanidade deixe de existir, ao contrário do que dizem pessoas com um alarmismo infundado. Mas essa é a única boa notícia. Outras espécies desaparecerão, milhares de pessoas desalojadas pela subida das águas, mais fenómenos extremos como furacões ou secas, mais incêndios e consequências económicas graves.

E o que estamos a fazer para evitar tudo isso? Pouco, muito pouco. O investimento em renováveis é demasiado lento, os automóveis elétricos são raros e usam eletricidade que em muitos casos vem de combustíveis fósseis e as políticas para alteração de comportamento são inconsequente.

Apesar de não termos individualmente capacidade de resolver o problema energético podemos dar o nosso contributo de outras formas. As mais consequentes são ter menos filhos (expandir a espécie humana é um perigo para o planeta) e deixar de usar o automóvel regularmente. E depois há outras como usar mais energia verde, reduzir o consumo de carne e peixe, andar menos de avião ou reciclar.

Tenho tentado eu próprio mudar os comportamentos. Alguns tem dado resultado (o uso do automóvel é talvez a minha maior mudança nos últimos anos), mas noutros nem por isso (voo bastante, mas também sei que os aviões iriam viajar mesmo sem mim).

E agora também estou a escrever este artigo tentando influenciar as 2 pessoas que o vão ler até este ponto. Se meia pessoa mudar já é uma vitória.

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