O primeiro-ministro, António Costa (E), acompanhado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (D), e pelo Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, durante as cerimónias comemorativas do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas. Cidade da Praia, Cabo Verde, 10 de junho de 2019. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte do dirigente do PCP Ruben de Carvalho, recordando-o como um “defensor da liberdade desde jovem”, que “deixa um rasto de saudade”.

“Jornalista e homem de cultura, defensor da liberdade desde jovem, deputado à Assembleia da República, vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Ruben de Carvalho deixa um rasto de saudade em todos quantos tiveram o privilégio de partilhar a sua afabilidade de trato e reconhecer o seu empenhamento profundo na defesa das causas em que acreditava”, afirma o chefe de Estado.

Numa nota publicada no portal da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa apresenta “respeitosas condolências” à família de Ruben de Carvalho e ao PCP.

Também o primeiro-ministro, António Costa, considerou que a morte do antigo dirigente comunista Ruben de Carvalho representa a perda de um amigo e de homem de cultura e transmitiu os seus sentimentos ao secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

O primeiro-ministro, António Costa. FOTO: JOÃO RELVAS/LUSA/Arquivo

“Ruben de Carvalho adorava a vida e se teve tempo de uma última despedida, deve ter dito para si ‘foi bonita a Festa, pá!’. Já transmiti os meus sentimentos à sua família e ao secretário-geral do PCP”, escreveu António Costa numa nota na rede social Twitter.

O primeiro-ministro caracterizou depois Ruben de Carvalho como um “homem de cultura e inteligência política invulgares, sentido de humor e extraordinária exigência de caráter”.

“Seduzia adversários, com a capacidade de construir e honrar os compromissos que Lisboa exigia. Ruben de Carvalho era, antes do mais, um amigo, numa amizade que construímos nos seis anos de intenso convívio na Câmara Municipal de Lisboa”, refere o líder do executivo.

António Costa deixa ainda uma nota de lamento: “As vicissitudes da política nunca nos permitiram trabalhar tão estreitamente quanto eu teria – teríamos – gostado e seguramente a cidade muito teria beneficiado”, acrescenta.

 

Jerónimo recorda Ruben de Carvalho como “homem de combate” que lutou pela liberdade

 

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, lembrou o histórico dirigente Ruben de Carvalho como “um homem de combate e de confronto de ideias”, mas também um cidadão “de projeto”, que lutou pela liberdade e pela democracia.

Numa declaração aos jornalistas na Assembleia da República, em Lisboa, o líder do PCP salientou que Ruben de Carvalho, “com um grande significado, era um homem de combate e de confronto de ideias”.

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PC), Jerónimo de Sousa. Foto: Arquivo/LUSA

Na opinião de Jerónimo de Sousa, mesmo aqueles que tinham “divergências profundas, sempre tiveram grande respeito pela intervenção do Ruben neste diálogo com quem discordava, mas simultaneamente respeitava”.

“Ruben de Carvalho abraçou, durante toda a sua vida, a luta pelo projeto do partido que o animava, que o acompanhou durante toda a sua vida, e é neste quadro que podemos dizer que era um homem de projeto, um homem que lutou pela liberdade, pela democracia, que tinha o seu projeto de luta pelo fim da exploração do homem pelo homem, na luta pelo socialismo e pelo comunismo”, destacou.

O secretário-geral comunista aproveitou também para, de forma pública, apresentar “profundas condolências” em nome do Secretariado do Comité Central do PCP, “à sua companheira de sempre”.

Ruben de Carvalho era responsável na Câmara Municipal de Lisboa pelo Roteiro do Antifascismo, membro do Comité Central do PCP e fazia parte da organização da Festa do Avante! desde o seu início, em 1976.

Jornalista de profissão, Ruben de Carvalho foi também chefe de redação do semanário “Avante!”, órgão central do PCP, entre abril de 1974 e 1995, chefe de redação da revista “Vida Mundial” e redator coordenador do jornal “O Século”.

Ruben de Carvalho foi membro das “comissões juvenis de apoio” à candidatura do General Humberto Delgado, chefe de gabinete do ministro Sem Pasta, Francisco Pereira de Moura, no I Governo Provisório após o 25 de Abril de 1974, deputado à Assembleia da República eleito pelo distrito de Setúbal e vereador na Câmara Municipal de Lisboa.

Tinha 74 anos e era o único membro no atual Comité Central do PCP que tinha estado preso nas cadeias da PIDE durante o Estado Novo.

Ruben de Carvalho manteve, na RDP1, o programa “Radicais Livres”, onde debatia temas de atualidade com Jaime Nogueira Pinto.

Publicidade