Pedro Cunha, escritor e cineasta, escreve semanalmente às sextas no LUX24.

Esta longa-metragem irlandesa, realizada por “P.B. Sherman” (Farhad Safinia), é um filme biográfico que retrata como foi lograda a criação do Oxford English Dictionary.

O professor James Murray, encarnado pelo actor Mel Gibson, inicia o trabalho de compilação de palavras para a primeira edição do icónico dicionário Inglês em 1857.

Por seu turno o Dr. William Minor, encarnado pelo actor Sean Penn, um paciente do Broadmoor Criminal Lunatic Asylum, contribuiu com mais de 10 mil inscrições para a obra que teve a sua primeira versão concluída em 1928.

O argumento é baseado na obra literária “The Surgeon of Crowthorne” do escritor e jornalista britânico-americano Simon Winchester, publicado em 1998 e segundo os especialistas na obra, a adaptação para cinema está conotada como muito aquém das expectativas.

Na produção, pode-se referir que este foi um projeto dos sonhos de Mel Gibson (adquiriu os direitos em 1998), e para além do evidente “atraso”, os produtores não conseguiram rodar o projecto em Oxford!

A alternativa do Trinity College em Dublin, apesar de não constituir um problema, se é que alguém pode até mesmo perceber a diferença, acaba por não convencer os eruditos literários.

O conflito aberto entre a produtora Icon Productions, de Mel Gibson, que processou (perdendo) a Voltage Pictures, por esta querer assumir decisões na pós-produção, em particular na edição, acabou por condicionar toda a máquina comercial do projecto e um lugar mais simpático na história do cinema.

As decisões de casting acabam também por influenciar a trajectória do filme (principalmente no circuito de festivais), Gibson originalmente seria o realizador, com intenção de seguir a linha cinematográfica de projectos anteriores baseados em línguas antigas, mas acabou por entregar a realização ao argumentista Safinia para encarnar o personagem principal, enquanto génio incompreendido.

Por seu lado Sean Penn, que muitas vezes acredita que o melhor desempenho pode ser o mais ruidoso, teve carta branca para gritar e sofrer e, no fundo, ambos parecem espelhar um estilo subtilmente hipócrita.

A palavra “arte” prova ser a maior caça ao tesouro, com todos os envolvidos na pesquisa a tentarem rastrear o seu significado através dos séculos e nos diferentes idiomas. Uma das qualidades a realçar no filme é a do entendimento da ARTE como uma palavra viva que pode mudar ao longo dos anos, e essa gíria não é uma abominação, mas sim uma evolução!

O poder narrativo declina ao empenhar-se na direção da sua subliminar intenção, que é recuperar o contributo destes homens na história britânica, perdendo de vista a busca inicial pelo caminho do conhecimento e o seu processo.

No fundo, há uma verdadeira e fascinante história que mantém o espectador envolvido abrindo espaço ao florescimento e à descoberta de um livro importante!

No entanto, “O Professor e o Louco” sofre não só de seriedade, mas de gestão em geral, fica a impressão que escapou a percepção de quando e onde o filme realmente perdeu o seu rumo, apesar de não se abdicar de saber como termina.

A estreia mundial aconteceu na Semana de Cine Europeo (Uruguai), a 15 de Marco de 2019, registando uma quase inexistente carreira nos festivais de cinema até à data.

Em Portugal “O Professor e o Louco” estreou no passado dia 1 de Maio e, no Luxemburgo ainda não tem estreia prevista.

Bom filme!

 

Assista aqui ao trailer do filme:

 

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