Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Bom dia, lusos. Como está o tempo por aí? Aqui voltaram as temperaturas extremas e as idas às Urgências e Centros de Saúde também cresceram, porque é difícil passar incólume, face a estas mudanças bruscas e quase violentas, fruto dos muitos disparates que a humanidade andou cometendo contra a Natureza!

Mais exacto: os desmandos que o mundo dos negócios e lucro andou produzindo e que nós, incautos e agora muito comodistas mas já não ignorantes, continuamos a alimentar de modo, diria, leviano. Esta semana é de muito calor, pois. Quantos e quantas não aproveitarão o bom tempo para umas escapadelas a praias e piscinas, munidos de protectores solares lesivos do Ambiente, porque à base de CFC? Os protectores contra os raios UVA são indispensáveis, só há é que ter cuidado na sua escolha.

Por falar em lucro e interesses, mais ou menos obscuros, lembro as cambalhotas de alguns partidos com assento parlamentar, que levaram ao chumbo das propostas de contagem integral do tempo de serviço dos professores!

Alguns, eventualmente, perguntar-se-ão o que tem uma coisa a ver com a outra. Mas tem! E muito! Gritando o Governo: “Aqui d’el Rei, não dinheiro!, vai “injectar” mais de um Milhão de € no “salvamento” de mais um bancozinho, coitadinho, cujos donos, Conselhos de Administração e toda essa tropa fandanga, já devem andar a pão e água! Uma lástima, pobrezinhos! A questão dos professores e de outros sectores profissionais voltará à baila, na próxima legislatura, naturalmente, porque não é admissível que se lance para o lixo, sem efeitos, o esforço de seis anos e meio de trabalho, dois terços do total, com toda a razão reivindicado.

Estes “episódios”, ainda por cima recorrentes, dão a volta aos fígados de todos nós e, a propósito, lembro aqui a vergonhaça que foi o interrogatório a Joe Berardo na Comissão Parlamentar de Inquérito à Gestão e Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, a banca nacional, que, enquanto propriedade de todos os contribuintes, mais cautelas exigiria na administração do dinheiro que lhe foi confiado. Vergonha alheia, vergonha da atitude absolutamente provocadora e insolente do sr. Comendador! (Mas por que razão tem este figurão uma comenda? Pelos bons serviços à Pátria não foi, certamente! Bem, Armando Vara também tinha “uma coisa assim”, uma distinção entregue sabe-se lá porquê e que, por ir entrar no chilindró lhe foi retirada! Que cenas tristes!).

Voltando ao mal-educado Berardo, o desplante com que afirmou e bateu pé que não tinha dívidas, que ele, Joe, não devia nada a ninguém. Que quando foram pedidos os créditos, até o fez só para ajudar os bancos, etc, etc, etc… Um espanto! Mais informou que, se alguém deve, é a Fundação com o seu nome, ele não! Mas afinal, a Fundação é de quem, minha, vossa, do caseiro da Quinta da Bacalhoa?!

E gargalhou, muito bem-disposto por estar a gozar insolentemente com todo o País, desrespeitando o Parlamento! Garante que ninguém lhe vai tirar nada, até porque só possui uma “garagem” no centro de Lisboa. Se a criatura chama aquela propriedade uma garagem, eu direi que a minha casa é um galinheiro! Mas, mesmo assim, pago um IMI danado pelo alojamento das “galinhas”!

O Sr. Primeiro Ministro garante que o homem vai pagar a dívida fabulosa contraída mas acho que devemos esperar sentadinhos.

A nossa Terra, que adoro e muito respeito, o nosso Portugal, dá-nos, por vezes, “surpresas” incríveis e altamente irritantes. Vejam esta: No domingo, fui até Lisboa para comemorar o Dia da Mãe com os meus filhos, mas, como prefiro fazer pausas, parámos para dar uma olhadela ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, em S. Jorge.

Andando por ali, muito atenta, dou de caras com duas fotografias dos fossos que “tramaram” o grande exército castelhano, identificadas como propriedade da Fundação Mário Soares! Dirigi-me a uma funcionária e perguntei a razão. Ela saiu do balcão, nunca tinha reparado e não me soube responder, nem tinha tal obrigação.

Mas que brincadeira é esta? Uma foto da terra que é património nacional, memória de um episódio glorioso da nossa História, património também de todos os portugueses, portanto. A que propósito é que uma fundação particular é proprietária das fotos? Aliás, deveria era ter pago para poder fotografar o que é de todos! Fico completamente revoltada com estas anedotas de mau gosto, em que muito infelizmente o país se vai revelando fértil.

Fiquem bem, sejam felizes. Um grande abraço. SQ