Bruno Gonçalves Gomes, dirigente da Associação Letras Nómadas AIDC, escreve quinzenalmente ao sábados no LUX24.

O desporto rei sempre fez parte da minha vida, que saudades das minhas idas ao estádio no Calhabé para assistir aos jogos da Académica de Coimbra!

O meu falecido pai era um portista ferrenho que simpatizava com a Académica, foi ele que me incutiu o gosto pelo futebol, dificilmente perdíamos um jogo da Académica no velho estádio do Calhabé, onde vibrávamos com jogadores como o “Tintin”, o Barry, um jogador britânico com um pouco mais de 1,60m de altura que passou pela briosa nos anos 80!

Que saudades do futebol vivido com emoção, da competição saudável, da ida de famílias inteiras ao futebol, dos gritos a encorajar a equipa, dos choros quando se perdia e do barulho do relato dos rádios a pilhas que vinha da bancada do peão!

Nas últimas décadas muita coisa mudou, o futebol e os clubes transformaram-se em grandes empresas e o objetivo tornou-se lucro, as famílias que iam em massa ao futebol já não vão, os preços do espetáculo tornaram-se impeditivos, e quem faz o esforço para assistir, já não tem sobra de dinheiro para saborear uns tremoços ou amendoins!

É com enorme tristeza que tenho assistido ao deteriorar do futebol, as claques organizadas ou “desorganizadas” dos grandes clubes de Portugal, têm contribuído em demasia para o agastar e o afastar da “relação” de muita gente com o futebol.

A competição, o fanatismo e a rivalidade não se podem transformar em campos de batalhas, em duelos, em agressões, em mortes e sobretudo em ‘bullying’ aos praticantes desta modalidade, mesmo que sejam profissionais bem remunerados, são filhos, pais, irmãos, netos de alguém…

Não consigo compreender a justificação que é dada por alguns apreciadores das claques, que as mesmas são as que apoiam as equipas de princípio ao fim. É-me difícil compreender que em 90 minutos um grupo organizado de supostos apoiantes de um clube possa após o término de um jogo tornar os seus jogadores de heróis a carrascos porque perderam uma competição ou um jogo. Colocando os jogadores sobre uma enorme pressão e até mesmo com medo de sua integridade física e de suas famílias.

Um conjunto de “arruaceiros” não pode desprestigiar e afastar os fãs desta modalidade desportiva, está na hora de colocar um ponto final no “espaço” que é dado às claques para que sigam os seus objetivos, de controlar os clubes de futebol!

Os clubes, além de já não pertencerem totalmente aos sócios mas sim às Sociedades Administrativas Desportivas, também são agora “dominados” por supostos sócios que pertencem a claques de apoio, que tanto apoiam como aterrorizam!

Nós, enquanto cidadãos, temos o dever de não aceitar este “terror”, está na hora que as instituições ligadas ao futebol e os nossos políticos façam algo para que o Futebol continue em Portugal a ser um desporto que arrasta milhões de pessoas e suas respetivas famílias…

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