Pedro Cunha, escritor e cineasta, escreve semanalmente às sextas no LUX24.

Esta longa-metragem americana realizada por John Lee Hancock (destacou-se com os filmes “The Blind Side”, 2009, e “Saving Mr. Banks”, 2013), é baseada na história verdadeira de Frank Hamer (Kevin Costner) e Maney Gault (Woody Harrelson), ambos ex-Rangers do Texas que regressam ao activo para acabar com a onda de crimes perpetrados por Bonnie e Clyde.

Se o casal era apenas um duo de psicopatas assassinos, os homens da lei que “descarregaram” mais de 100 cartuchos sobre ambos foram verdadeiros heróis?

De modo geral esta é a tese que o argumentista John Fusco (destacou-se com o filme “Hidalgo”, 2004) explora, salientando a perseguição sem tréguas por parte de dois Rangers reformados aos amantes indescritíveis e mortais pelos Estados Unidos da América durante a Grande Depressão.

Uma das curiosidades do filme é o casal “não ser apresentado”, permitindo que a sua ausência intensifique a tensão.

Os enquadramentos de Bonnie e Clyde são distantes (plano muito geral), indescritíveis (plano de inserto) e até fantasmagóricos.

Até o pormenor de Bonnie a coxear (plano de detalhe) parece tudo, menos um sinal de vulnerabilidade e sim, uma marca distintiva do serial killer.

Os desempenhos de Kevin Costner e Woody Harrelson proporcionam ao espectador continuar com a narrativa que parecendo um pouco antiquada e fora de sintonia, sugere ser intencional.

No fundo, The Highwaymen parece funcionar melhor como uma oportunidade de passar algum tempo de entretenimento com os ilustres actores Kevin Costner e Woody Harrelson, que encarnam os seus personagens como “cowboys” com um certo conforto, cumplicidade e até familiaridade.

Neste filme, destaco o guarda roupa desenhado por Daniel Orlandi (destacou-se com os filmes “Down with Love”, 2003, e “The Founder”, 2016, que consegue com mestria criar a perfeita cápsula do tempo dos Estados Unidos da América na década de 1930.

A reforçar a composição de Orlandi é incontornável referir o trabalho de direcção de fotografia executado por John Schwartzman (destacou-se com os filmes “Pearl Harbor”, 2001, e “Seabiscuit” 2003,) que igualmente tem um papel preponderante na realização do filme.

Durante a “Era dos Inimigos Públicos”, entre 1931 e 23 de Maio de 1934 (pela região central dos Estados Unidos da América), os heróis folclóricos e as suas façanhas atraíram a atenção do público americano e a sua simpatia.

The Highwaymen acaba por apresentar o casal apenas aos 117 minutos e 29 segundos, ficando evidente que mesmo depois de abatidos permaneceram no coração dos americanos ao longo dos anos, graças também em parte ao brilhantemente violento sucesso do filme “Bonnie and Clyde”, 1967, que lançou para a ribalta Warren Beatty e Faye Dunaway, e ao mesmo tempo foi adotado pela cultura jovem da época.

“Estrada Sem Lei”, está disponível na plataforma de streaming Netflix.

Bom filme!

Assista aqui ao trailer do filme: