Silvina Queiroz, professora, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Olá amigos. Confesso um certo embaraço para iniciar a nossa conversa de hoje. Como escrevo com antecedência corro, naturalmente o risco, de que, quando o meu texto vos chegar às mãos, já nada seja como escrevi. Mas não há como fugir desta possibilidade, absolutamente desagradável.

Esta foi uma semana atípica. Depois da alegria das comemorações da Liberdade, em 25 de Abril, o regozijo continuou com a celebração do 1 de Maio, Dia do Trabalhador, lamentavelmente tão desrespeitado, como já tive oportunidade de comentar!

Os portugueses aderiram com entusiasmo aos festejos da data. Lisboa assistiu a uma majestosa Manifestação, que desceu em ambiente esfusiante a bela Avenida da Liberdade. Multiplicaram-se as Manifestações, em  várias capitais de distrito e na minha terrinha, de adopção, mas que sinto como verdadeiramente minha, a União de Sindicatos da Figueira da Foz, trouxe o 1º de Maio de novo para a rua, conferindo-lhe o seu intrínseco cariz popular, seguindo o formato que tem adoptado: uma atenção muito especial às provas desportivas para várias faixas etárias, representações de folclore do concelho, com seus trajes garridos e canções de outros tempos, verdadeiramente nacionais.

Nem a Maria da Fonte “escapou”, tema mais do que no espírito da celebração. Lembrou-se Zeca Afonso e a as suas inspiradas letras de intervenção, algumas anteriores a Abril, mas que a pouca inteligência dos censores fascistas deixou “passar”, porque simplesmente não entenderam a profundeza do seu conteúdo. Foi um dia lindo e, como sempre aconteceu, neste tipo de efemérides, foi gostoso o reencontro com amigos e conhecidos que já se não viam há muito.

Ia tudo correndo bem, num ambiente de festa e de tranquilidade de espírito, quando surgiram, inopinadamente, factos novos e nada “felizes”, digamos assim, porque somos boas pessoas. Começando pelo princípio: sabem, certamente, que há muito se arrasta uma “teima” entre o Governo e os professores, a propósito da recusa daquele em contar, como é seu dever e obrigação, o tempo de serviço prestado pelos docentes.

E não é tão insignificante quanto “isso”: 9 anos 4 meses e 2 dias. Quando digo “teima”, não sou bem explícita, porque a razão assiste aos professores, por inteiro e doí-me perceber que muitos nossos concidadãos ainda não perceberam do que efectivamente se trata! Porquê? Por sua culpa não!

Por culpa da desinformação do próprio Governo sobre a matéria, replicada por alguns órgãos de comunicação social, que parecem querer incitar má vontade contra esta classe profissional. Então, houve uma reunião da Comissão Parlamentar de Educação, que votou a contagem integral do tempo de serviço docente, tendo apenas o PS votado contra. Claro que a proposta ainda tem de ir a Plenário, o que acontecerá entre 10 e 15 deste mês, em princípio.

Mas o PS não perdeu tempo e “armou” uma engenhosa dramatização teatral. Veio comunicar ao País que se demitiria, provocando eleições antecipadas, se no Plenário da Assembleia da República o assunto tivesse o mesmo acolhimento.

Mentiu, confundiu, invocando dificuldades de tesouraria falaciosas, já que a medida, a ser implementada, não envolvia qualquer acréscimo financeiro em 2019. Isto depois de invocar verbas, ora mais avultadas, ora mais “modestas”, não jogando a “cota com a perdigota”. (Entretanto, vai continuar a haver dinheiro em barda para “salvar” mais um bancozinho, e tendo-se permitido o “perdão” de 116 Milhões de Euros de dívidas bancárias a um milionário do grupo dos “bem na vida”!)

Esta tentativa descarada de condicionamento, já era, por si só, muitíssimo grave mas os desenvolvimentos ainda foram mais lamentáveis: “assustadinhos” que nem coelhos em dia de caça, PSD e CDS, dão o dito por não dito e recuam, “admitindo” alterar o seu sentido de voto, se não forem aprovadas as suas propostazinhas colaterais sobre o assunto, que já  tinham sido anteriormente reprovadas. E assim vamos, ao sabor das “birras” e dos interesses obscuros de uns tantos. Esta “cenaça” correu muito mal ao CDS e ao PSD mas esplendidamente ao Partido Socialista, que levou a sua avante e distraiu o “Zé Povinho” da campanha para as Eleições Europeias, que não lhe estava correndo nada bem.

Aguardam-se os próximos episódios mas não pode esquecer o Governo que a Resolução 1/2018 da Assembleia da República exige a contagem integral do tempo de serviço dos professores. Quem trabalha, tem de ver esse tempo reconhecido e respeitado, é um direito inalienável.

Ah, mas outras classes profissionais com idênticos problemas… Muito bem, terão de ser resolvidos também porque não podem ser sempre os mesmos, as camadas populares, a pagar os desmandos e as “crises” artificiais que, volta e meia, são construídas para tramar o tal “Zé”, a quem já vai, naturalmente, faltando a paciência!

Fiquem bem, fiquem felizes. Deste cantinho, parte aquele abraço de cumplicidade.

Publicidade