Ramsés Nunes, historiador brasileiro e ativista musical, escreve semanalmente às quartas no LUX24.

Esse revisionismo descabelado que assola alguns setores políticos no Brasil merece ser estudado como uma patologia social. Mesmo que ele não seja um fenómeno só brasileiro.

O argumento de que “Adolf Hitler era de esquerda”, propagado pelo atual Ministro das relações exteriores do Brasil (e pelo próprio chefe do executivo) é um termómetro do que certo anti-intelectualismo é: um mal do século XXI.

Embora esteja centrado numa pseudo-ciência, é sua inimiga, posto que detesta a produção historiográfica e está fundada no irracionalismo.

Afinal, nega fatos, distorce consensos, desqualifica saberes. Endeusa youtubers, rebaixa historiadores. Tem ojeriza à reflexão, se fundamenta nas redes sociais.

Não demorará muito para que, por todo o mundo, surjam os que minimizam a barbárie, seja qual for ela, em prol do exercício tacanho de relativizar fenómenos históricos.

Triste artifício da história, usado por forças sinistras.