Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve semanalmente às sextas no LUX24.

Para melhor compreensão desta crónica consultar:

Parte 1

Parte 2

A fase seguinte era obter uma declaração de dois ‘referees’, ou seja, dois árbitros. Na altura tentei obter os contactos do Bruno Paixão e do João Pinheiro mas o Benfica não respondeu aos emails que lhes mandei a pedir essa informação. Mais tarde até acabei por perceber que estes não podiam ser os meus ‘referees’ já que era necessário um deles ser britânico e outro ser membro de uma ordem profissional. Assim era mais fácil e arranjei dois amigos dispostos a assinar uma declaração a dizer que me conheciam.

Nessa declaração era necessário colar uma fotografia minha com o meu nome e data de nascimento escritos atrás.

Quero acreditar que não é estúpido escrever algo num sítio que fica cheio de cola e completamente tapado entre uma fotografia e uma folha de papel. Espero sinceramente que os serviços britânicos utilizem tecnologia de vanguarda para conseguirem retirar essa informação escondida por detrás da minha fotografia tipo passe.

Depois disso chegou a altura de submeter a candidatura e pagar mais de 1300 libras. Tudo normal até à parte de entregar os documentos em papel e tirar os dados biométricos. Como o Reino Unido é um país muito desenvolvido e capaz de viver sozinho sem ajuda de ninguém, a gestão das candidaturas é agora feita por uma empresa… francesa.

Acabados de abrir um centro em Cambridge marquei uma hora e um dia em mais um formulário online e paguei mais 60 libras por essa marcação. Quando chegou o momento lá fui eu todo contente na minha hora de almoço a pensar que me despachava em pouco tempo e quando chego ao local percebo que ainda lá está gente à espera desde as nove da manhã  e que apesar de ter sido uma marcação online, existem muito mais pessoas a chegar a cada hora do que pessoas a ser atendidas. Como aquilo fechava às 16h, percebi que nunca chegaria a minha vez.

Revoltado liguei para todas as linhas de atendimento queixando-me da forma como tratam os emigrantes neste país, nomeadamente as empresas francesas, e lá pediram muita desculpa, que ainda estavam no início e que iam devolver o dinheiro, sugerindo que eu marcasse em Birmingham, onde era o escritório principal da Empresa, a mais de duas horas de carro de minha casa.

Certo é que em Birmingham existiam horários em que o processo de entrega de papéis eram gratuitos, para além claro do meio dia de férias que tirei e da viagem de carro.

E assim, passadas duas semanas lá fui eu até à segunda maior cidade britânica, onde passei longas horas apenas para fazer três tarefas: entregar os documentos que eram passados num scanner e devolvidos na hora, tirar os dados biométricos num processo semelhante a tirar passaporte em Portugal mas com mais impressões digitais e ter uma verificação final que os documentos estavam todos.

E agora era só esperar que os Deuses dos processos burocráticos se reunissem em concílio para analisar a minha candidatura. Mas parece que vamos ter que esperar mais uma semana para os conhecer.