Silvina Queiroz, professora.

Bom dia, amigos. Em Outubro passado falei-vos do meu prazer em passear, conhecer “coisas” e rever outras mais do que conhecidas mas sempre aliciantes. Este é um modo de aliviar, ainda que por escasso tempo, as preocupações e angústias da vida.

À conta de uma celebração familiar, rumei, uma vez mais, a Lisboa. Fomos aqui do burgo sábado de manhã e voltámos no domingo, já tardito. Nestes dois abençoados dias, não vi TV nem li jornais, o que é quase sempre um salutar exercício para o sossego do espírito.

Mas na segunda de manhã, ainda não liberta da preguicinha matutina, vi no google algumas notícias, para me actualizar.

Péssima ideia – a queda do avião etíope, cheio de pessoas ligadas a instituições humanitárias, funcionários da ONU, dirigentes de importantes ONGs, gente que detinha um historial de intervenção em prol de um Mundo melhor, (desse princípio parto), e que num momento perde a sua vida e as oportunidades de continuar o seu trabalho procurando soluções de melhores condições de habitabilidade deste planeta, em vários domínios, nomeadamente o ambiental.

Muitos estavam em trânsito para a IV Assembleia Ambiental das Nações Unidas. Entre as 157 vítimas, consta um defensor dos refugiados Rohingwa, povo mártir que não tem sido protegido pela sua chefe de Estado, galardoada, não há muito tempo, com o Prémio Nobel da Paz! Não há comentários para tal infâmia e agora já se aventa a hipótese de que o próximo galardoado seja Donald Trump.

É caso para dizer que anda muita gente a gozar com a cara de muita outra gente! Para além destes passageiros, alguns turistas, aproveitando o seu merecido lazer, e uma tripulação jovem e promissora.

Um desperdício de vidas, provavelmente devido a um “erro” que a Boeing terá de assumir, se for comprovado, mas que não devolverá à vida e às famílias estas pessoas desafortunadas.

Incomodou-me também imenso a morte da bebé, carbonizada num incêndio na Amadora, caída do colo da mãe que corria, tentando preservar a sua maior riqueza, aquela menina fruto das suas entranhas.

Como disse atrás, não vi TV nem jornais. Nem quero imaginar estes “filmes de horror” ao “vivo e a cores”, como as televisões se pelam para mostrar. Perante estes e outros cenários, prefiro agarrar-me às lembranças do meu fim de semana e partilhá-las convosco.

O tempo esteve esplêndido, arrefecendo bastante a partir do final da tarde mas até aí uma perfeita maravilha: um céu azul luminoso e limpo, um sol radiante e quentinho! Fui então até Lisboa, cidade onde nasci e que continuo a adorar! Lisboa está no grupo das mais visitadas capitais da Europa e do Mundo e com todo o mérito. Deslumbrante, cheinha de residentes e muitos, muitos turistas.

Os estudos sobre o incremento do turismo no País, apontam 9 turistas para 1 residente em Lisboa e 8 para 1 residente no Porto! Para tal disparidade têm contribuído a fama das belezas destas duas joias nacionais e as “maldades” que têm sido forjadas, afastando dos bairros antigos moradores e “semeando” “alojamento local” por tudo o que é sítio!

Mas… para que a conversa não azede, fico-me pelas delícias de Lisboa. Nos dois dias do fim de semana, as chamadas “praias da linha” estiveram repletas de gente e o mar, de um azul/verde algo misterioso e deslumbrante, pejado de surfistas. Lindo de ver!

Mas toda a Lisboa se apresentou ocupadíssima e com um “cheirinho” a Primavera, apaziguador da alma. Espero que muitos de vós, (que bom se fosse possível a todos), tenham em breve a oportunidade de vir até ao nosso Portugal, matar as saudades que sei que eu adivinho que têm.

 

Ah! E agora já se pode almoçar em Cascais, se tivermos os olhos bem abertos! Há sítios óptimos, agradáveis e de bom serviço e boa comida, praticando preços mais baixos do que os praticados em restaurantes da minha Figueira da Foz, contrariando o que seria a normal corrente.

Portugal vale mesmo a pena e para todos os seus cidadãos anseio um futuro próspero e risonho. E não nos tentem “enfiar o gorro” de que não há dinheiro para tanta coisa que legitimamente reclamamos. Claro que há! Está é mal distribuído e desbaratado por meia dúzia enquanto a grande maioria passa dificuldades, maiores ou menores.

Pronto, já azedou a conversa! Não há como fugir perante estas mentirolas descaradas que nos pretendem impingir e que são absolutamente revoltantes!

Fiquem bem, fiquem felizes. Um grande abraço.

Silvina Queiroz, professora, escreve às quartas no LUX24.