Mili Tasch, Guia conferencista e presidente do Centro de Estudos sobre a Emigração.

Insurjo-me veemente contra tal decisão.

Sabemos quanto é difícil viver-se em terra alheia.

No entanto, é contra a adversidade que devemos lutar. Porque defendemos uma causa justa. Porque a luta nos torna mais fortes. Riscar o passado é condenável. Porque é história. A NOSSA HISTÓRIA! A história dos Portugueses no Luxemburgo.

E eu, como alguns outros portugueses, ajudámos a escrever essa história. Com o senhor Huss, com o Carlos Pina, e com a Heroína Pina, a esposa do Carlos.

Sinto tal decisão como uma afronta. Uma afronta contra a memória dos que já nos deixaram.

O Guy Reger não é Português, não viveu os tempos que nós vivemos. Não sente na pele nem no sangue que riscar assim o passado é levar a nossa história ao catafalco, degolar um povo e a sua história escrita com as lágrimas do exílio.

Não, o Guy Reger não pode compreender, como não podem compreender os que o apoiaram nesta decisão.

Não, o Guy Reger não pode compreender. Sentir o exílio na pele, não é a mesma coisa que ser movido por um sentimento cristão ou de empatia, ou de humanidade que nos leva a ajudar os que estão sós.

Não, o Guy Reger, embora tenha mostrado grandes ajudas, nunca saiu do seu conforto nacional.

Clamo bem alto a minha indignação porque sou parte integrante desta história. Porque faço parte do passado e do presente da comunidade portuguesa.

 

Se o Guy Reger e o seu conselho de administração entendiam que não tinham condições para continuar a manter os laços de amizade entre Portugal e Luxemburgo, deveriam ter declarado a sua própria falência perante os ideais que presidiram à criação da asbl.

E ter tido a ética e a honestidade de passar o testemunho a outros que pudessem perpetuar a chama que surgiu pela vontade dos seus fundadores.

Foi escolhida a via mais fácil. Um aproveitamento total e repreensível do caminho já feito para riscar os Portugueses da história.

Quando me exprimo desta forma não quero dizer que sou contra a amizade plural. Bem pelo contrário, e as provas estão à vista.

Mas defendo o facto que não se pode tomar tal decisão, quando a asbl criada em prol do desenvolvimento e consolidação de laços de amizade entre dois povos, foi reconhecida ao mais alto nível pelas autoridades dos dois países.

E subsistem as questões: Porque não terem criado uma outra asbl que correspondesse à óptica dessa amizade plural?

Porquê este apagar do passado? Porquê esta bofetada sem mão?

Quais os interesses que presidiram a tal decisão?

Insurjo-me. Tenho dito. E assumo.

 

Mili Tasch, Guia conferencista e presidente do Centro de Estudos sobre a Emigração, escreve habitualmente aos domingo no LUX24.

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