Rui Curado Silva, investigador em Física

José Mourinho foi condenado a um ano de prisão com pena suspensa e ao pagamento de 3,2 milhões de euros por fraude fiscal em Espanha.

Para ocultar os rendimentos relativos a contratos de cedência de imagem, Mourinho celebrou contratos com empresas sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas e na Irlanda. José Mourinho participou em anúncios publicitários milionários da Heineken, da Braun e da American Express, entre outras multinacionais.

Quem esteve sempre ao lado de Mourinho nas fintas ao fisco foi a Gestifute, a empresa de Jorge Mondes de gestão de carreiras de jogadores de futebol.

Porém, Mourinho não é o único cliente da Gestifute condenado por este tipo de práticas. Também Cristiano Ronaldo (18 milhões euros de multa), James Rodriguez (12 milhões), Radamel Falcao (7,4 milhões) ou Fábio Coentrão (1,7 milhões) realizaram fintas milionárias ao fisco espanhol sob as indicações do “Mister” Jorge Mendes.

Apenas Radamel Falcão teve a coragem para denunciar às autoridades espanholas as práticas de Jorge Mendes.

Será a Gestifute uma empresa de gestão de carreiras de futebol ou será uma empresa de gestão de evasão fiscal no mundo futebol? O que lhe dá mais proveito, as transferências ou a fuga ao fisco?

Apesar do aparente clima de impunidade que esta empresa continua a gozar no nosso país, o Fisco português está a coordenar investigações em curso em cinco países europeus (Espanha, Irlanda, Reino Unido, Holanda e Chipre), relativas a suspeitas que Jorge Mendes e esposa receberam 96 milhões de euros sem os declarar como dividendos.

Pior, recentemente, Jorge Mendes lançou uma operação de branqueamento da sua imagem quando publicitou a oferta de uma nova casa a uma família da região de Pedrógão, vítima dos incêndios de 2017.

Não são estes meros 200 ou 300 mil euros oferecidos que apagam as centenas de milhões de euros que Jorge Mendes e clientes devem aos contribuintes espanhóis e muito provavelmente, aos britânicos e aos portugueses.

Se Jorge Mendes se quiser redimir genuinamente dos seus pecados comece por oferecer a construção de um hospital ou de uma universidade aos estados espanhol, português ou britânico.

Não é coisa que se faça por menos. É também por causa deste tipo de práticas que ainda há doentes sem camas nos hospitais e jovens que não podem estudar na universidade.

 

Rui Curado Silva, investigador em Física, escreve às segundas no LUX24.

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