Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados.

Na última quarta-feira, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu disse que aqueles que defenderam o Brexit sem nenhum plano iriam ter um lugar especial no inferno.

A utilização da religião para meter medo pelos vistos é comum aos Presidentes do Conselho de Qualquer Coisa já desde 1933. E digo isto com este tom de revolta porque realmente estou assustado com estas declarações.

Ora, vinha eu a fazer a minha vida sossegadinha de ateu desde que saí de um colégio católico aos 12 anos, já a contar em viver toda a eternidade no inferno devido à minha falta de crença. Até que assim, sem mais nem menos, dizem que vou ter a companhia do Boris Johnson, Jacob Rees Mogg e David Davis durante todo esse tempo, que sendo eterno significa que é mais do que 2 horas, e 2 horas já era demasiado.

Para piorar as coisas eles vão ter direito a um “lugar especial”, ou seja, tal como já têm agora como antigos estudantes do Eton College, o local onde é formada a elite conservadora Britânica.

Quer isto dizer que quando pensava finalmente livrar-me das pessoas que mais me irritam no meu país adotivo e viver descansadinho no inferno, perdão, estar morto descansadinho no inferno eis que aparece um Donald a dizer que vou levar com eles durante toda a eternidade.

Claro que podia optar por converter-me, tirar um bilhete para viver num mosteiro e andar descalço todos os dias mesmo em locais sem alcatifa. Mas o problema é que não acredito e não há muito a fazer. Prefiro conclusões baseadas na evidência do que na fé, por isso esperava ir ter com o Galileu, o Copérnico e outros do género.

Esse meu inferno era bem mais interessante do que o céu, onde estarão imensas freiras, imensos padres e imensas crianças, mas com este novo grupo de senhores, a minha vida, perdão, a minha morte está desgraçada. E pelo andar da carruagem o líder trabalhista Jeremy Corbyn também lhes vai fazer companhia e vão por certo juntos lutar contra as medidas reguladoras do inferno definidas pelo Satanás e lutar pelo Hellxit em que o inferno deixaria de estar alinhado com o purgatório controlando o número de pessoas a entrar no mundo das trevas.

A única salvação que me resta é o facto de não acreditar no inferno e achar que quando falecer não vou a lado nenhum. O meu coração deixar de bater e nos anos seguintes seguir-se-á a decomposição do meu corpo e os meus átomos continuarão por este universo durante milhões de anos.

E com um bocadinho de sorte talvez eles nunca se cruzem com os átomos do Boris Johnson, do Jacob Rees Mogg e do David Davis.

 

Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados, escreve às sextas no LUX24.