Pedro Cunha, escritor e cineasta.

Esta longa metragem americana, realizada por Peter Farrelly, é baseada na amizade real entre Tony Lip, personagem encarnado pelo actor Viggo Mortensen, um trabalhador italo-americano, e Dr. Don Shirley, personagem interpretado pelo actor Mahershala Ali, um famoso pianista afro-americano.

Pela primeira vez, Peter Farrelly, realiza um filme a solo, revelando-se como um passo em frente depois das comédias “Doidos por Mary” e “Dumb and Dumber” realizados com o seu irmão Bobby.

Ao mesmo tempo, esta road trip, faz lembrar e muito “Driving Miss Daisy” (vencedor de quarto Oscars em 1990), não soando assim como uma história totalmente original.

Neste filme, destaco o guarda roupa desenhado por Betsy Heimann e a direção de fotografia por Sean Porter!

Ambos conseguem com mestria, criar a perfeita cápsula do tempo do ano de 1962, ajudando muito a romantizar a explosão visual que nos é proporcionada durante todo o filme.

Há cenas chocantes em que Tony, um homem que anteriormente deita ao lixo dois copos que haviam sido usados ​​por afro-americanos, de repente se torna num especialista em cultura negra que apresenta ao seu empregador as alegrias do jazz e do frango frito…

O desempenho de Mahershala Ali é brilhante e poderá levá-lo ao púlpito no próximo dia 24 de Fevereiro, apesar de em alguns momentos o realizador aparentemente não o ter colocado no topo em termos de composição e enquadramento cinematográfico.

 

 

Há uma qualidade patrícia em seu porte quando ele se senta, envolto em caxemira e distante, na parte de trás do carro, cansado pelas calorias vazias da conversa de Tony. É um contraste gritante com o seu rosto público, um sorriso automático e incerto para desarmar os racistas do Sul que o vêm como um acto de novidade, em vez de um músico de classe mundial. As dicas melancólicas dignas do personagem Dr. Don Shirley, ocasionalmente, em comportamento provocativo e autodestrutivo, o actor Mahershala Ali, capta lindamente a complexidade do homem que manipula o arrependimento matinal de uísque com um orgulho teimoso no seu verdadeiro eu.

Apesar de “Roma” e “The Favourite” serem à partida os favoritos às estatuetas douradas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, penso que Green Book conseguirá arrecadar pelo menos um OSCAR, das cinco nomeações recebidas: Melhor Filme, Melhor Actor, Melhor Actor Coadjuvante, Melhor Argumento Original ou Melhor Edição.

Bom filme!

 

Pedro Cunha, escritor e cineasta, escreve às sextas no LUX24

 

Publicidade