Rui Curado Silva, investigador em Física.

Várias têm sido as reflexões sobre a propagação dos populismos, dos autoritarismos e da extrema-direita através da Europa e do Mundo.

Por exemplo, um ponto comum a Putin, a Trump, a Bolsonaro e a quase todos os líderes populistas e autoritários é a postura de negação ou de indiferença em relação à evolução do clima da Terra e às questões ambientais mais genéricas.

O combate às alterações climáticas e a defesa dos ecossistemas são claramente dois temas de fratura que poderão distinguir com clareza quem está de facto preocupado com os povos e com o futuro das jovens gerações e tem um programa concreto para implementar, daqueles que se baseiam na demagogia, na mentira e manipulação da opinião pública.

No auge dos protestos dos coletes amarelos (que começaram com a questionável causa do preço do diesel), a mesma percentagem de franceses que os apoiava nas sondagens pronunciava-se a favor da transição ecológica.

Recentes eleições na Bélgica, no Luxemburgo e na Alemanha mostram claramente uma subida dos projetos políticos em torno do ambiente e da ecologia. Há um crescente interesse na opinião pública pelas questões ecológicas. É incontornável que este seja um tema central das próximas eleições europeias.

As forças progressistas de esquerda deverão bater-se por um projeto europeu que tenha a sua centralidade no clima e no ambiente e que seja também capaz de ligar os povos europeus.

Ninguém terá um clima exclusivo no seu país, estamos todos na mesma nave espacial Terra, somos banhados pelos mesmos mares e oceanos, somos atravessados por rios que fluem através de vários países e regiões e as tempestades que se formam nos trópicos já atingem os climas temperados, como infelizmente constatámos em 2018.

Um projeto europeu com esta centralidade requer investimento num conjunto de serviços públicos europeus que assegurem medidas efetivas de combate às alterações climáticas.

Estas medidas poderiam passar pela implementação de uma rede europeia de serviço ferroviário transnacional de passageiros e mercadorias, por serviços públicos transeuropeus de água e de energia ou por um serviço europeu de solidariedade e partilha de meios de proteção civil, que envolvam tecnologia europeia e software livre europeu em todas as instituições públicas (como o Linux).

Vamos a isto?

 

Rui Curado Silva, investigador em Física, escreve às segundas no LUX24.

Publicidade