Fã que é fã perdeu a conta ao número de concertos que já viu da banda, mas cada espectáculo dos Xutos & Pontapés é sempre como se fosse o primeiro.

De letras na ponta da língua, de refrões cantados em uníssono e de gargantas mais ou menos afinadas – dependendo do estado etílico – os fãs, milhares, não têm dúvidas de qual é a melhor banda de rock portuguesa: Os “Xutos”.

No país dos Tonys, Emanueis, Toys e Marias Leais, há quatro jovens rockers, rebeldes, filhos do 25 de abril, que naquela noite de 13 de janeiro de 1979 mal sabiam que iriam inscrever os seus nomes nos anais da História do rock português: Zé Pedro, Kalú, Tim e Zé Leonel.

 

40 anos…Obrigado a todos!Sem vocês nada disto era possível.

Publiée par xutos sur Samedi 12 janvier 2019

 

Em pouco mais de 5 minutos e quatro músicas depois, o salão de baile dos Alunos de Apolo, em Lisboa, tinha parido os Xutos. Ou seriam os ‘Delirium Tremens’ ou ‘Beijinhos e Parabéns’? Bem, não interessa. Acabou tudo ao Pontapé!

Era de madrugada, o rock e o cheiro a ganza perfumavam o ar poluído de Lisboa e nascia a lenda! Uma narrativa que celebra hoje, 13 de janeiro de 2019, 40 anos de altos e baixos. “Um excesso de consumo”, talvez.

Influenciados pelo punk-rock que entrava em força na cena musical estrangeira, os Xutos foram desbravando o seu caminho e definindo o seu trilho até aos dias de hoje.

Quarenta anos depois, o grupo persiste na música portuguesa, mas já sem Zé Pedro e Zé Leonel, ambos falecidos.

Em 1981, entra o guitarrista Francis e sai Zé Leonel, que viria a fundar os Ex-Votos.

Entretanto é lançado o primeiro petardo, o primeiro álbum: “1978-1982”.

A banda vai sofrendo os seus ajustes no ‘line-up’ e em 1983 Francis sai da banda que passa a actuar com músicos convidados, entre os quais o saxofonista Gui. No mesmo ano entra para a banda o guitarrista João Cabeleira.

 

 

Ajuste aqui, ajuste ali e estava encontrada a fórmula mágica:  Tim (voz, baixo), Zé Pedro e João Cabeleira (guitarras), Kalú (bateria) e Gui (saxofonista).

Com o rock a ferver nas veias, o sucesso mediático só chega em 1987 com o álbum “Circo de Feras” e os seus mega sucessos “Contentores”, “Não sou o único” e “N’América” e “A minha casinha”.

 

 

De lá para cá, a banda gravou um total de 13 álbuns e o 14° está a caminho:

78/82 (1982), Cerco (1985), Circo de Feras (1987), 88 (1988), Gritos Mudos (1990), Dizer Não De Vez (1992), Direito ao Deserto (1993), Dados Viciados (1997), Tentação (1998), XIII (2001), Mundo ao Contrário (2004), Xutos & Pontapés (2009) e Puro (2014).

 

 

Para festejar a data redonda, os Xutos & Pontapés editam um novo álbum, “Duro”, com lançamento previsto para o próximo dia 25 de janeiro, com dois concertos em Lisboa e Porto.

É também o primeiro álbum que Kalú, Tim, João Cabeleira e Gui sem o guitarrista Zé Pedro, que morreu em 2017. Quis o destino que o primeiro concerto da banda sem Zé Pedro acontecesse no Luxemburgo, a 18 de dezembro de 2017.

Contudo, “Duro” – um álbum com rock mais pesado –incluirá gravações feitas ainda por este músico.

Um disco que, segundo a banda, é “um legado de perseverança e persistência, de luto e de alegria, de ansiedade e calma”.

Parabéns, Xutos & Pontapés!

 

Paulo Dâmaso / LUX24