Pedro Cunha, escritor e cineasta.

Esta longa metragem dinamarquesa, realizada por Gustav Möller, é um thriller vibrante sobre um polícia que foi obrigado a sentar-se numa secretária a receber telefonemas do serviço de emergência 112 enquanto aguarda pela conclusão do julgamento em tribunal num caso policial recente no qual é arguido.

O personagem Asger é surpreendido pela chamada telefónica de uma mulher desesperada, que aparenta comunicar o seu sequestro sem chamar a atenção do sequestrador.

A luta contra o tempo para resolver um crime que é bem maior do que parece inicia-se.

Prepare-se para assistir a um filme que usa ingredientes simples, mas com um efeito avassalador!

Gustav Möller é um realizador diligente, apesar desta ser a sua primeira longa metragem, percebendo que o cinema é muito mais do que aquilo que se desenrola no grande ecrã, mas também o que se passa na mente do espectador.

Fica aqui o convite para assistir a este filme que lhe irá promover uma experiência diferente, será como transformar-se num participante activo, permita-se a descobrir a imagem a partir dos detalhes mais simples da narrativa e por certo não será um filme que irá esquecer tão cedo!

“The Guilty” é rodado em apenas duas salas, na central onde se atendem as chamadas de emergência 112 em Oslo, na qual o design de som foi meticulosamente trabalhado (pelos quatro elementos do departamento de som), particularmente nos momentos pautados pelo silêncio e quietação que é fundamental para o seu sucesso!

 

 

Apesar do filme se centrar no rosto e na portentosa expressão dramática do actor Jakob Cedergren, toda a envolvência emocional na narrativa é acentuada pela sagacidade do argumento, escrito pelo realizador e Emil Nygaard Albertsen, que nos transporta a desvendar um mistério como se estivéssemos numa cápsula em tempo real a moldar as nossas próprias suspeitas e conclusões.

A ferramenta principal neste filme é um objecto tão simples quanto o é um telefone, fazendo-me lembrar do “Phone Booth”, 2002 e, particularmente “Locke”, 2013, não esquecendo da curta-metragem “Operator”, 2015, realizado por Caroline Bartleet, que foi galardoado com um Bafta!

As revelações e reviravoltas habilmente registadas nos quadros cinematográficos deste filme, como uma grande obra de arte, chegam-nos ao intelecto como um soco no estômago.

A estreia mundial aconteceu no último Sundance Film Festival, vencendo o importante prémio do público na categoria World Cinema Dramatic, iniciando como um foguetão um percurso rico em nomeações e galardões em vários festivais de renome!

“The Guilty” vai ombrear com “Cold War” (sobre o qual escrevi há 5 semanas), na 91ª edição dos Oscars que acontecerá a 24 de Fevereiro, entre outros títulos à partida favoritos (melhor filme estrangeiro) como, “Roma” e “Shoplifters”, numa lista com 9 filmes, dos quais 5 passaram por Cannes!

Como curiosidade, de referir que já corre o rumor de que este filme irá ter um remake com produção americana e, que o actor Jake Gyllenhaal poderá encarnar o personagem Asger.

Em Portugal, “O Culpado”, estreia na próxima quinta-feira, dia 17 de Janeiro e, no Luxemburgo ainda não tem estreia prevista.

Bom filme!

 

Pedro Cunha, escritor e cineasta, escreve às sextas no LUX24.