Silvina Queiroz, professora.

Que tudo esteja a acontecer de acordo com as vossas expectativas e sonhos!

Na crónica passada, “avisei” que continuaria a escrever sobre a mágica história dos Reis Magos, ainda esta semana. Que me perdoem os que ficaram desagradados com a ideia.

Uma pergunta ficou sem resposta: “Onde eram as terras desses sábios, de onde provinham?” A Escritura não o esclarece e também não sabemos com certezas quantos  realmente seriam. Mas…não eram três?! Incógnita! Poderiam ser mais: quatro, seis… ou mesmo doze e o número 3 surgiu por analogia com o número de oferendas levadas ao recém-nascido.

No século VI, a Igreja resolveu atribuir-lhes nomes e “retratos físicos”: Melchior (também apelidado de Melquior e Belchior), andaria pelos 70 anos de idade, o decano do grupo. Sério, circunspecto, de rosto moreno, ostentaria grandes barbas e longos cabelos grisalhos. Viria de paragens a que hoje chamamos “extensamente” Europa.

Baltazar teria aproximadamente 40 anos e viria de terras africanas. O mais jovem, Gaspar, não teria mais de 20 anos, era loiro e praticamente imberbe, mas a sua juventude não o impedia de ombrear com os mais velhos e experientes, sendo ele próprio um sábio de gabarito. Gaspar viria da Ásia.

Percebemos a intenção da Igreja de referir como origens destes homens locais tão díspares e distantes. Quis simbolizar com esta medida a universalidade da Fé, que, cria, se estenderia a todos os continentes. Completando a ideia de universalidade e também de fraternidade entre os diferentes povos, a Igreja distingue-os, provavelmente a partir do século XII, por etnias: o mais idoso é caucasiano, Baltazar de raça negra, Gaspar um eslavo.

Pois estes três ou a sua comitiva deslocaram-se guiados pela “Estrela”, segundo o texto bíblico. Também este não pequeno pormenor encerra aspectos curiosos à sua volta! Segundo estudos de astronomia, ao longo dos tempos, há a possibilidade de que se tenha tratado do cometa Halley, astro lindíssimo que faz a sua aparição com 74-79 anos de intervalo. Poucos assistirão à sua próxima “visita”, já que por aqui andou em 1986, prevendo-se que regresse em 2061! Mas poderá não ter sido o Halley mas um qualquer outro fenómeno astral, uma junção planetária ou a passagem de outro cometa.

O que realmente importa é manter a genuína magia desta época que teria acabado no dia 6 mas que nós, portugueses, prolongaremos até dia 20 (ou mais!) com o cantar das Janeiras, depois das Reisadas do passado dia 5!

Quem não se lembra de José Afonso e de “Vamos cantar as Janeiras”? Aceitemos o convite, se não em grupo e em alta voz, pelo menos no silêncio e aconchego de cada coração enternecido.

Muitas felicidades. Um grande abraço.

 

Silvina Queiroz, professora, escreve às quartas no LUX24.

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