*Rui Curado Silva, investigador em Física.

Se continuarmos a consumir plástico ao ritmo atual, em 2050 haverá mais plástico no mar do que peixe. Por dia, despejamos para os oceanos o equivalente a um camião carregado de embalagens e de produtos de plástico.

Nas povoações costeiras, a pouco e pouco já começa a haver alguma sensibilidade para o problema, o mar está ali ao lado e na televisão já se ouviram notícias sobre marés de plásticos em paragens distantes.

No entanto, o peixe vai chegando ao prato contendo discretas micro-partículas de plástico ingeridas durante o seu ciclo de vida e que discretamente entram no nosso aparelho digestivo.

Vamos ao café da rua e continuam a servir-nos água em garrafas de plástico, apesar de a legislação já obrigar a servir em garrafas de vidro.

As palhinhas de plástico continuam a ser servidas em cocktails e em bebidas para crianças, apesar de já existirem no mercado alternativas em vários materiais biodegradáveis (cana, madeira, etc.) ou materiais laváveis, como o inox.

Nas grandes superfícies usa-se e abusa-se do plástico, faz-se tábua rasa de qualquer preocupação ecológica, apesar da legislação já incitar à redução de utilização de plásticos.

Sejamos francos, a responsabilidade de não estarmos a ganhar esta guerra contra os plásticos deve ser partilhada por todos. Os clientes não exigem e as empresas e estabelecimentos abusam.

No entanto, a maior quota de responsabilidade é de quem governa o país e das autarquias. Quem governa o país tem a responsabilidade de colocar no terreno meios suficientes e eficazes de fiscalização.

Os autarcas, que são os olhos do estado no terreno, não podem fingir que não veem, não podem fingir que a legislação está a ser cumprida.

Tem responsabilidade acrescida os autarcas das localidades à beira-mar que não acautelam o futuro do seu município e não cuidam da saúde dos seus munícipes.

 

*Rui Curado Silva, investigador em Física, escreve às segundas no LUX24.