Rita Limede, psicóloga e produtora de eventos musicais.

Actualmente existem variadas dietas disponíveis, bem como estilos de vida baseados no tipo de alimentação que fazemos. É comum existirem já opções vegetarianas e vegan nas cantinas e na maioria dos restaurante, restaurantes com ementas inspiradas em dietas como a palleo, entre muitos outros.

Com todas estas diferenças alimentares em voga actualmente, têm-se dedicado cada vez mais estudos a este assunto de diversas áreas (antropologia, sociologia,nutrição, ciências do ambiente, etc.) por isso não é surpresa que a neurociência e a psicologia tenham juntado esforços em explorar estes fenómenos.

Um dos estudos com mais impacto que surgiu nos últimos anos, fala sobre o efeito que a nossa alimentação tem no nosso cérebro, nomeadamente quais as ligações existentes entre o nosso sistema digestivo – nomeadamente o estômago e o intestino – e o nosso cérebro e sistema nervoso central.

De acordo com o estudo em questão, existem evidências que a ansiedade tem uma ligação ao nosso sistema digestivo, podendo  ter manifestações fisiológicas em determinadas situações. A ligação “gut-brain” (que podemos traduzir em português para a ligação entre as nossas entranhas e o nosso cérebro) tem-nos ajudado a perceber o porquê de nos sentirmos com enjoos quando estamos em situações de stress ou porque é que as mudanças de humor ou os períodos de maior ansiedade vêm acompanhados por alterações no apetite ou por certos desejos alimentares muito específicos.

Por outro lado, este estudo também sugere que se existirem problemas fisiológicos relacionados de ordem gastrointestinal, que os mesmos serão agravados em determinadas situações de maior stress ou de desajuste emocional. Esta ligação entre o nosso cérebro e o sistema digestivo poderá ser a chave para compreender melhor a forma como o stress impacta o nosso organismo, e qual o papel da nossa dieta na regulação emocional.

Assim, ao termos estes factores em consideração, vamos poder no futuro personalizar a nossa dieta, de modo a que o impacto negativo da mesma seja minorado. Nós somos o que comemos, e a prova é que o nosso gut-feeling nunca se engana!

 

* Rita Limede, psicóloga e produtora de eventos musicais, escreve às quintas no LUX24.