Ramsés Nunes, historiador brasileiro e ativista musical.

Um dos principais elementos do futuro governo que se instalará no Brasil: é formado por 5 militares.

Ao mesmo tempo, a bancada neo-pentecostal de deputados e senadores fundamentalistas, um dos principais setores políticos aliados do ex-militar que comandará o país, e que se instalou há anos na Assembleia, bate palmas.

O antigo projeto de tomada do poder da IURD, por exemplo, se manifesta como certo.

Haja vista que a agenda de projeto que virá, ladeira abaixo diga-se, vai tentar criar uma espécie de teocracia militarista-cristocêntrica, em várias áreas.

Numa delas, a área da educação, já anda a ser atacada por iniciativas que vão da reinstalação do ensino religioso no currículo da escola pública, a modificações no currículo do ensino médio. Incluindo o criacionismo no corpo das disciplinas. Ferindo a laicidade constitucional. Como se não bastasse a pressão para que professores sejam monitorados em sala de aula.

Uma das maiores aberrações aconteceu quando o próprio candidato eleito, bradou aos quatro cantos, que alunos e pais gravassem e denunciassem os educadores (ato que sem permissão, é passível de punição enquanto crime) sob alegação de que seriam agentes comunistas “doutrinadores”.

Como se a máquina do tempo estivesse travada nos anos 1970. Não precisamos de passagens para o Afeganistão, já estamos bem perto dele na América do Sul.

 

*Ramsés Nunes, historiador brasileiro e ativista musical, escreve às quartas no LUX24.