Thérésa Miranda, gerente da mercearia social “Buttek”, da Cruz Vermelha Luxemburguesa, em Differdange. Foto: Paulo Dâmaso/LUX24

 

Embora seja conhecido como um país rico, o Luxemburgo é também o lar de pessoas afetadas pela pobreza.

Os mais recentes dados públicos não desmentem esta realidade: Mais de 62% dos desempregados do país estão em risco de pobreza e, segundo o Eurostat, cerca de 126.000 pessoas (21,5% da população total) estão no limiar da pobreza ou de exclusão social no Luxemburgo.

“Nota-se um aumento na procura dos nossos serviços, que há mais necessidades”, disse, ao LUX24, Thérésa Miranda, gerente da mercearia social “Buttek”, da Cruz Vermelha Luxemburguesa, em Differdange.

O Luxemburgo tem atualmente oito mercearias sociais da Cruz Vermelha Luxemburguesa espalhadas de norte a sul do país: Differdange, Steinfort e Remich, Echternach, Mersch, Wiltz, Clervaux e Grevenmacher.

De acordo com dados de 2017, a mercearia social de Differdange presta auxílio mensal a cerca de 200 famílias, num total que ronda as 900 pessoas.

“Pode não ser um amostra do que se passa no país, mas é uma realidade. Há muitas dificuldades, seja pela perda pontual de emprego, divórcio, doença ou outras questões sociais”, observa Thérésa Miranda, que integra o projecto de abertura da primeira mercearia social do país, em 2009, em Differdange.

 

Thérésa Miranda, gerente da mercearia social “Buttek”, da Cruz Vermelha Luxemburguesa, em Differdange. Foto: Paulo Dâmaso/LUX24

 

No atual contexto de crise económica, o número de domicílios em situação precária tende a aumentar. Em 2017, os utentes da mercearia social foram maioritariamente luxemburgueses (39%) e portugueses (32%), havendo ainda sírios (5%), franceses (3%), alemães (3%) e outras diversas nacionalidades (17%).

“As dificuldades não são específicas do povo x ou y. Há necessidades em cidadãos de todas as nacionalidades”, sublinha a responsável pela mercearia social de Differdange.

O objetivo destas lojas mercearias sociais é prestar apoio a famílias carenciadas, permitindo às pessoas em situação precária abastecerem-se de produtos de primeira necessidade a custo reduzido.

Na loja social de Differdange é possível ter acesso a alimentos e produtos para uso diário, a preços “três ou quatro vezes mais baixos” do que no comércio tradicional.

“Cada caso é acompanhado pelo gabinete social (‘Office Social’) da autarquia e só depois chegam até nós. O que aqui temos são produtos de primeira necessidade, desde frutas, legumes, leite, arroz, massas, carne e peixe congelados, produtos de higiene e limpeza”, explica Thérésa Miranda.

Graças a estas “ajudas pontuais” das mercearias, os beneficiários veem o seu poder de compra aumentar enquanto tentam superar as dificuldades sociais em que caíram.

 

Um aspecto da mercearia social “Buttek”, da Cruz Vermelha Luxemburguesa, em Differdange. Foto: Paulo Dâmaso/LUX24

 

“O nosso objetivo não é ser um comércio, antes ajudar a lutar contra as dificuldades que pessoas estão a passar, ajudar a uma nutrição equilibrada e saudável e, ao mesmo tempo, lutar contra o desperdício de alimentos”, sublinha a responsável pela mercearia social de Differdange.

Os produtos ou bens – a loja também tem vestuário, calçado, e brinquedos – chegam através de donativos de particulares ou empresas. Quanto aos alimentos, passam pela Spëndchen, que fornece a rede “Buttek” da Cruz Vermelha no país, para obter a garantia de mais eficiência no gerenciamento dos mantimentos e produtos.

Para além de Thérésa Miranda, a mercearia social de Differdange conta com o apoio de seis voluntários, que ajudam na ‘missão’ do espaço, e de instituições, caso do Serviço Nacional de Juventude.

“São pessoas disponíveis, com muita energia e sempre prontas a ajudar. Confesso mesmo que sem o apoio dos nossos voluntários era impossível conseguir levar este trabalho em frente com o sucesso que conseguimos”, elogiou Thérésa Miranda.

A mercearia social de Differdange tem ainda um pequeno espaço de convívio e socialização. Há várias iniciativas, como o ‘Café dos pais’ (para falar sobre a educação dos filhos) e ateliês culinários sensibilizar para desperdício alimentar e reensinar a fazer comida mais saudável e barata.

 

Paulo Dâmaso / LUX24
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